quinta-feira, 14 de setembro de 2017

ELMIRO PERES, a lenda e o homem

Por Isaac Melo
Blog Alma Acreana


Em primeiro plano, túmulo de Elmiro Peres, no cemitério São João Batista, em Tarauaca-AC.


O nome de Elmiro Peres, em Tarauacá, é envolvido por muitas histórias populares. Virou “lenda”. Uma delas diz que o seu túmulo encontrava-se amarrado por grossas correntes, pois, à noite, ouvia-se o rugir da fera querendo emergir das profundezas. Mais que lenda, Elmiro entrou para o imaginário popular das gerações seguintes como um dos mais cruéis seringalistas da região, por seus pesados castigos que impunha a seus seringueiros. Seu nome, em princípios do século XX, esteve envolvido em disputas de terras, ambições, traições, que culminou no fatídico caso do assassinato do também seringalista Angelo Ferreira da Silva. 

Elmiro Peres de Souza nasceu na cidade de Tamboril, estado do Ceará, em 1885. Chegou, provavelmente, nos primeiros anos do século XX à região de Tarauacá. Começou como seringueiro. Ascendeu. Junto com Auton Furtado e Antonio Carlos Viriato Saboia estabeleceu, em 1918, a sociedade comercial Saboia, Furtado & C.ª, com sede no seringal Universo, no rio Tarauacá. Em 28 de fevereiro de 1921, a Saboia, Furtado & C.ª seria dissolvida, em comum acordo, com a saída de Antonio Carlos Viriato Saboia. A partir daí, estabelecia-se a nova sociedade entre Elmiro e Furtado, surgindo assim a Furtado & Peres, que se tornaria uma das maiores da região.


A sede continuaria a ser o próspero seringal Universo, à margem esquerda do rio Tarauacá, residência oficial dos sócios, de onde administravam os negócios e os demais seringais. Universo contava com escola primária, a D. Pedro II, sob responsabilidade da Prefeitura, (depois Coronel Antonio Frota, sob responsabilidade do Território Federal), criação de gado e outros animais, além de uma pequena “indústria” de tecelagem, que produzia redes e colchas de algodão. Investimentos para driblar a crise da borracha.

Por disputas de seringais, em 1.º de julho de 1909, em emboscada, seria assassinado Angelo Ferreira da Silva, seringalista, explorador e “catequista de índios”, num episódio que a imprensa local chamou de “A tragédia do Sanango”, referência à colocação em que ocorrera o fato, no Seringal Apuanã, no igarapé de mesmo nome, afluente do Tarauacá. Entre os acusados estavam Auton Furtado, Ananias Lima e Elmiro Peres. Assim escreve o antropólogo uruguaio Marcelo Piedrafita Iglesias:

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