sábado, 29 de março de 2014

Brasileiras postam fotos contra estupro; criadora é ameaçada

Utilizando a hashtag #EuNãoMereçoSerEstuprada, internautas postaram fotos seminuas dizendo que as vestimentas não são motivo para nenhum crime sexual.

Mulheres de todo o Brasil estão protestando pelo Facebook após o resultado de uma pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) que apontou que a maioria dos brasileiros acha que “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Segundo a pesquisa, 65,1% das pessoas – incluindo homens e mulheres – concordaram com essa informação. Já 58,5% concordam com a afirmação “Se mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”. 

A reação diante da pesquisa foi imediata e uma campanha online chamada “Eu não mereço ser estuprada” foi ganhando força na rede social. Utilizando a hashtag#EuNãoMereçoSerEstuprada, as internautas postaram fotos seminuas dizendo que as vestimentas não são motivo para nenhum crime sexual. Até as 11h30 deste sábado, a comunidade Eu não Mereço Ser estuprada tinha 514 participantes na rede social. Outras duas com temática semelhante somavam mais 500 membros.

       A jornalista Nana Queiroz, organizadora da página de protesto no Facebook, disse que sofreu ameaças,Foto: Reprodução

Organizadora da página de protesto no Facebook, a jornalista Nana Queiroz disse em sua página pessoa da rede social que sofreu ameaças de homens e que mulheres desejaram que ela fosse estuprada. "Amanheci de uma noite conturbada. Acreditei na pesquisa do Ipea e experimentei na pele sua fúria", afirmou em um post.

Em entrevista ao Terra, Nana contou que neste sábado irá levar as ameaças, que já contabilizam milhares de posts, de acordo com ela, a uma delegacia na Asa Sul, em Brasília. "Queremos levar ao Ministério Público esses registros para que os agressores sejam punidos e sirvam de exemplo", defendeu.

O que mais chocou a jornalista foram as mensagens de incitação à violência e ao estupro."Me acusaram de ser contra Deus e a sociedade, além de postarem fotos minhas em sites pornográficos", detalhou. Como próximo passo, a campanha prevê o pedido de um canal nacional específico para denúncias de assédio sexual contra mulheres.

Pelo Twitter, até a presidente Dilma Rousseff se manifestou sobre o resultado da pesquisa. Ela defendeu nesta sexta-feira "tolerância zero" à prática deste tipo da violência contra a mulher. "Pesquisa do Ipea mostrou que a sociedade brasileira ainda tem muito o que avançar no combate à violência contra a mulher. Mostra também que governo e sociedade devem trabalhar juntos para atacar a violência contra a mulher, dentro e fora dos lares", escreveu Dilma.

Portal Terra

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