Tem certas coisas que grudam na memória da gente. Quando, por exemplo, o Fantástico mostrou uma reportagem sobre a dura vida no município do Jordão, o deputado estadual e líder do governo na Aleac, Moisés Diniz (PCdoB), reagiu com um artigo sobre as mazelas do Sul Maravilha. Nunca esqueci o título do texto do comunista, "Jordão não quer chuchu".
Mas primeiro vou falar dos pepinos, depois a gente volta ao assunto dos chuchus.
Hilário de Holanda Melo é o prefeito petista que a Frente Popular do Acre escalou para governar o distante município, que tem pouco mais de 6 mil habitantes. Depois de duas vitórias consecutivas, Hilário transformou a cidade num caso trágico. Relapso, o petralha não dá conta sequer de mandar carpir as ruas, em sua maioria tomadas pelo matagal. E não é capim que bate nas canelas, não - trata-se de um arremedo de floresta que chega a encobrir o telhado de algumas casas.
Isolado por terra, o abastecimento do município depende do transporte aéreo e fluvial. Na época do estio, navegar se transforma em uma aventura morosa. E a consequência do isolamento é sentida através da carestia: um quilo de feijão pode custar até dez reais.
Apesar da alimentação exígua, Hilário Melo e seus aliados não se importaram, em seis anos de mandato, em incentivar o plantio em alguns leirões de quintal. Parace que é mais cômodo esperar que as aeronaves pousem com o produto colhido e embalado em plagas distantes.
A descrição desse cenário sugere que o atendimento hospitalar em Jordão beira o caos. Nem sempre há medicamentos disponíveis. E não bastasse esses problemas, Hilário Melo faz questão de impingir mais agruras aos munícipes.
Este blogueiro recebeu telefonema de uma moradora que reclama que o pagamento do funcionalismo municipal não é feito mais pelo Bradesco, que atendia na agência dos Correios local. Transferido ninguém sabe por que às pequenas casas comerciais da cidade, parte dos servidores tem recebido o salário com até cinco dias de atraso.
E quem, por exemplo, é lesado por cobranças descabidas na conta corrente, não tem a quem se queixar caso não pegue um barco ou avião e leve sua reclamação até Cruzeiro do Sul.
Voltemos, agora, aos chuchus.
Quando a matéria do Fantástico mostrou que Jordão ocupa a penúltima colocação no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), revelando que a cada cem pessoas que vivem no município apenas duas ou três devem conhecer a hortaliça, o deputado Moisés Diniz subiu nas tamancas. E escreveu horrores sobre os horrores do País, argumentando que os jordanenses comem "mandioca cozida, cuscuz de milho, banana, mamão, manga, goiaba" e bebem caldo de cana. Não precisam, portanto, de chuchus. Dois anos depois de exibida a reportagem, porém, nada mudou na paisagem trágica do município.
Com tantas favelas, acidentes de trânsito, tráfico de drogas e homicídios Brasil afora, o deputado governista acha que é perda de tempo e excesso de má-fé mostrar como vive a população do Jordão. Diniz compartilha a concepção de que jornalismo ético e eficiente é aquele que mostra as mazelas das cidades governadas pelos adversários. E como Jordão é apenas um lugar escondido no mapa - e tem no comando um amigo petista - não convém falar dos problemas que enfrenta.
Esse reducionismo proposital soa como artifício para justificar a incompetência dos aliados. E não dá para levar a sério argumentos que tentam minorar os defeitos de uma parte comparando-os à desgraça do todo. Pois assim nos fica a deplorável impressão de que Jordão só vai se livrar de suas dores quando o Brasil for um pedaço do Paraíso.
Mas primeiro vou falar dos pepinos, depois a gente volta ao assunto dos chuchus.
Hilário de Holanda Melo é o prefeito petista que a Frente Popular do Acre escalou para governar o distante município, que tem pouco mais de 6 mil habitantes. Depois de duas vitórias consecutivas, Hilário transformou a cidade num caso trágico. Relapso, o petralha não dá conta sequer de mandar carpir as ruas, em sua maioria tomadas pelo matagal. E não é capim que bate nas canelas, não - trata-se de um arremedo de floresta que chega a encobrir o telhado de algumas casas.
Isolado por terra, o abastecimento do município depende do transporte aéreo e fluvial. Na época do estio, navegar se transforma em uma aventura morosa. E a consequência do isolamento é sentida através da carestia: um quilo de feijão pode custar até dez reais.
Apesar da alimentação exígua, Hilário Melo e seus aliados não se importaram, em seis anos de mandato, em incentivar o plantio em alguns leirões de quintal. Parace que é mais cômodo esperar que as aeronaves pousem com o produto colhido e embalado em plagas distantes.
A descrição desse cenário sugere que o atendimento hospitalar em Jordão beira o caos. Nem sempre há medicamentos disponíveis. E não bastasse esses problemas, Hilário Melo faz questão de impingir mais agruras aos munícipes.
Este blogueiro recebeu telefonema de uma moradora que reclama que o pagamento do funcionalismo municipal não é feito mais pelo Bradesco, que atendia na agência dos Correios local. Transferido ninguém sabe por que às pequenas casas comerciais da cidade, parte dos servidores tem recebido o salário com até cinco dias de atraso.
E quem, por exemplo, é lesado por cobranças descabidas na conta corrente, não tem a quem se queixar caso não pegue um barco ou avião e leve sua reclamação até Cruzeiro do Sul.
Voltemos, agora, aos chuchus.
Quando a matéria do Fantástico mostrou que Jordão ocupa a penúltima colocação no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), revelando que a cada cem pessoas que vivem no município apenas duas ou três devem conhecer a hortaliça, o deputado Moisés Diniz subiu nas tamancas. E escreveu horrores sobre os horrores do País, argumentando que os jordanenses comem "mandioca cozida, cuscuz de milho, banana, mamão, manga, goiaba" e bebem caldo de cana. Não precisam, portanto, de chuchus. Dois anos depois de exibida a reportagem, porém, nada mudou na paisagem trágica do município.
Com tantas favelas, acidentes de trânsito, tráfico de drogas e homicídios Brasil afora, o deputado governista acha que é perda de tempo e excesso de má-fé mostrar como vive a população do Jordão. Diniz compartilha a concepção de que jornalismo ético e eficiente é aquele que mostra as mazelas das cidades governadas pelos adversários. E como Jordão é apenas um lugar escondido no mapa - e tem no comando um amigo petista - não convém falar dos problemas que enfrenta.
Esse reducionismo proposital soa como artifício para justificar a incompetência dos aliados. E não dá para levar a sério argumentos que tentam minorar os defeitos de uma parte comparando-os à desgraça do todo. Pois assim nos fica a deplorável impressão de que Jordão só vai se livrar de suas dores quando o Brasil for um pedaço do Paraíso.
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